Foto: Imagem Ilustrativa.
São Carlos aparece em segundo lugar no ranking nacional de cidades com mais empresas fundadas por ex-alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), atrás apenas da capital paulista. O dado é resultado de um novo método de pesquisa criado dentro da própria universidade, batizado de Cross-Match, que mapeou pela primeira vez com precisão o impacto econômico gerado pelos egressos da instituição.
O levantamento identificou 1.512 empresas com sede em São Carlos ligadas a ex-alunos da UFSCar, um número atrás apenas de São Paulo (3.215) e à frente de Campinas (525), reforçando o papel da cidade como polo de empreendedorismo acadêmico no interior paulista.
Como o estudo chegou a esse número
Diferente de levantamentos tradicionais que dependem de questionários enviados a ex-alunos, como fazem o MIT e a Unicamp há anos, o método desenvolvido na UFSCar cruza automaticamente dados de egressos com a base pública de CNPJs da Receita Federal. Essa técnica elimina o principal problema dos formulários: quem nunca responde à pesquisa simplesmente fica de fora da conta, subestimando o real impacto da universidade.
O projeto começou como piloto em 2022, testado com egressos do curso de Engenharia de Computação, e foi expandido em 2025 para toda a universidade. Ao todo, o Cross-Match analisou 43.735 formados entre 1970 e 2024, encontrando 13.720 empresas com pelo menos um egresso no quadro societário das quais 8.607 seguiam ativas no momento da pesquisa.
O tamanho do impacto econômico
Juntas, essas empresas ativas faturam pelo menos R$ 14,1 bilhões por ano, segundo estimativa baseada em faixas de faturamento declaradas à Receita Federal. A maioria (52,9%) são microempresas, enquanto 14,1% são de pequeno porte e 33,1% de médio a grande porte, um número que não inclui os microempreendedores individuais (MEI), deixados de fora da metodologia.
O alcance também chamou atenção dos pesquisadores: foram encontradas empresas ligadas a egressos da UFSCar em 922 municípios brasileiros quase 17% de todas as cidades do país, atuando em 740 setores diferentes, da tecnologia da informação à agricultura, passando por saúde e engenharia.
Por que esse tipo de indicador importa
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, ter dados mais precisos sobre quantas empresas uma universidade efetivamente ajuda a criar permite decisões mais assertivas sobre políticas de desenvolvimento econômico regional. A ideia agora é expandir o uso do Cross-Match para outras universidades brasileiras, criando uma base comparável em escala nacional algo que hoje só a Unicamp faz de forma consistente no país, através de pesquisas anuais próprias.
O estudo foi conduzido por Fernando Guerreiro Cunha, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSCar, e publicado originalmente pela plataforma The Conversation.
Perguntas frequentes
O que são as chamadas “empresas-filhas”?
São empresas em que ao menos um ex-aluno de graduação da universidade faz parte do quadro societário.
Qual a posição de São Carlos no ranking?
São Carlos é a 2ª cidade do Brasil em número de empresas-filhas da UFSCar, com 1.512 empresas, atrás apenas de São Paulo.
Como funciona o método Cross-Match?
Ele cruza automaticamente os dados de egressos da universidade com os registros públicos de CNPJs da Receita Federal, sem depender de questionários voluntários.
Quanto essas empresas faturam por ano?
Pelo menos R$ 14,1 bilhões ao ano, somando todas as empresas ativas identificadas pelo estudo.
O levantamento inclui MEIs?
Não. O método não considerou empresas registradas como Microempreendedor Individual (MEI).
Quem desenvolveu o método?
Pesquisadores da UFSCar, com o estudo conduzido por Fernando Guerreiro Cunha, doutorando em Engenharia de Produção pela universidade.
Fonte: The Conversation / Terra, artigo de Fernando Guerreiro Cunha, doutorando na UFSCar.















